Tempo de voltar a Óbidos!

Foi a 2 de agosto de 2014 que tive o primeiro contacto com o Trail, numa caminhada no Trail Noturno da Lagoa de Óbidos. Este ano voltei, e foi bom recordar e trazer mais histórias para contar. Afinal foi a minha primeira prova à noite, já tinha tido a experiência de uma a amanhecer e outra a anoitecer, mas cinco horas a correr de noite, foi a primeira vez. Coincidência ou não, à semelhança de há 3 anos atrás, cometi erros de principiante!


Em 2013 tinha retomado os treinos de estrada e em 2014, o meu marido insistia que devíamos de ir fazer uma prova de Trail, porque se eu tinha feito orientação, ia gostar.
Lá fui, e para começar numa caminhada à noite em Óbidos com as amigas. Os maridos foram aos 26km (nessa altura dizia-lhes que eram loucos!!)
Apesar de ter ficado, literalmente, radiante por estar no meio da natureza, não sabia para o que ia. Eu queria ir a trote, mas os trilhos não estavam marcados, tinha de seguir o guia que a determinada altura perdeu-se. E lá está, perguntava-me como deixavam as pessoas no meio do mato, sem um mapa! Lembro-me de ficar realmente indignada!
Numa altura que ia um pouco mais à frente do guia (ia e voltava), errei na direcção e dei por mim numa descida, com ténis de estrada (bem usados, reparem!) sem conseguir parar! Acredito que até hoje nunca mais desci tão rápido como naquela noite. Tive sorte em não me partir toda. Se levei frontal (!!)… foi um daqueles que davam nas provas de Urban Trail. Percebi também que uma caminhada em Trail, não era uma simples caminhada.

Guardei aquela sensação boa de voltar a correr nos trilhos e a partir daí comecei a participar em provas. Com mais cuidado com o equipamento e com as características da provas. Acho que vale iniciar-se no Trail por uma caminhada, mas quando queremos correr realmente, mais vale optar por uma prova curta e ir-se ao nosso ritmo! Há sempre um vassoura e não vamos ficar lá no meio.

Três anos depois voltei a Óbidos. Tinha aquela lembrança do guia perdido e de alguns feedbacks sobre as marcações de várias edições, mas percebi que quando uma organização gosta e acredita no que faz, melhora! A prova estava muito bem marcada. Mesmo em locais em que se cruzaram reflectores antigos, bastava seguir as fitas deste ano e não havia margem de erro.

Sobre a minha prova! Terminei os 42km (e qualquer coisa) nas 6h que tinha pensado, mas poderia ter sido melhor!
Foi uma prova meio romântica, já que foi basicamente à luz de velas! Isso! Qualquer tocha do tempo medieval em Óbidos dava mais luz que o meu frontal!
O primeiro erro foi testar o frontal ainda com claridade. Ao fim de 8 km, já a anoitecer, tive de trocar as pilhas. Ao fim de uma hora essas pilhas novas já estavam fracas, e não tinha mais. No fundo, o primeiro erro talvez tenha sido a escolha do frontal, mas sobrevivi e gostei bastante do silêncio de uma prova à noite. Sou faladora por natureza, mas gosto muito de correr em silêncio e a noite tem essa magia, até porque carece de maior concentração. Corri bastantes quilómetros sozinha, em diferentes partes da prova e apesar de ser bom ter alguém por perto, não senti insegurança.

Agora, túneis e água pela cintura dispensava! Já tive a minha dose de Comandos Challange!
Atravessar, sozinha, uma espécie de fossa cheia de canas a boiar sem noção da profundidade que ia encontrar, para mim, não faz sentido numa prova de Trail. A 22km do fim de prova, estava congelada. E lá pensava “segue em frente”.
Trilhos alternativos, por favor!

Foi também a primeira prova em que tive muita dificuldade em comer. Talvez por ser uma prova ao final do dia, precise de me alimentar de forma diferente, e senti muita azia. Tanta. Tudo o que comia era “fogo”! Caso tenhas alguma dica preciosa para esta situação, partilha! 😉

Acho que o TNLO é uma boa prova para quem se quer iniciar tanto nos 21km como nos 42km (sem contar com o túnel/fossas…). A partida do castelo tem um encanto especial e divertido e é uma prova bastante corrível.

Sabia que apesar de corrível tinha que tentar ir tranquila para a concluir. Tenho feito treinos com distâncias curtas e como vem aí um desafio maior era importante fazer estes quilómetros para entrar no ritmo! Não foi em modo treino, foi no meu modo, correr para chegar à meta, no menor tempo possível e em segurança! 
A verdade é que, na minha opinião, mesmo quem corre só para terminar convém seguir um plano de treinos, e no meu caso ter provas é importante, porque nos treinos diários, tiro sempre uns quilómetros ao plano (shame!). 

Apesar dos pontos menos positivos da prova e dos meus probleminhas técnicos e físicos, gostei de participar na prova e concluir os 42km!! Espero voltar…

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