O inesquecível Triangle Adventure

Partida 1ª etapa _ Pico

Correr nos Açores nunca é só mais um Trail, só mais uma prova. É regressarmos inebriados pelas paisagens, encantados pelo seu povo e com mil histórias para recordar.
Às gargalhadas e abraços que vivemos juntam-se os acumulados de 3 etapas. E que etapas.

Não deu para conter a emoção ao alcançar o Pico, a primeira etapa da prova! Ainda não acreditava que estava a viver esta experiência e tinha alcançado a primeira meta.
 
O tempo esteve do nosso lado e subimos, subimos, subimos. O último fôlego de ar foi para contemplar a vista ímpar do ponto mais alto do nosso país. Estávamos acima das nuvens, e aquele momento era de cortar a respiração, afinal éramos pequeninos pontos a 2229 metros de altitude, mas grandes pelo feito alcançado.

Subida para o Pico_ 1ª etapa
Depois do êxtase da primeira conquista,  deitar a cabeça na almofada era realizar que na manhã seguinte havia mais para correr, disfarçar que o corpo pedia descanso e que o relógio sugeria 120h de repouso. Mas tínhamos São Jorge para conquistar dali a umas horas.
Entre as viagens de barco, autocarro, os convívios, arranjava-se um espacinho para hidratar, comer, e preparar tudo para o dia seguinte.
 
São Jorge recebeu-nos com um banquete e sorrisos, mas colocou à prova a nossa condição física logo nos primeiros quilómetros. O calor e a humidade bloqueavam os poros e cada fonte de água fresca era uma dádiva da natureza.
Nos trilhos fechados aproveitávamos todas as sombras e a cada topo alcançado, era respirar profundamente e seguir. Voltamos ao nível da água e a brisa fresca revigorou-nos. Entretanto estávamos de volta a uma floresta encantada e tirada de um filme.
Ao som nossos passos e da nossa respiração juntávamos o som de pequenas ondas ali mesmo ao nosso lado.
À esquerda um jardim vertical, à direita as fajãs dos Cubres e um oceano infinito. O cheiro a mar e mais uma meta alcançada.
Fajãs dos Cubres_ São Jorge _ 2ª etapa
Faltavam mais 43km para a meta.
 
A emoção de cada objectivo alcançado parecia dar-nos força para o dia seguinte. Mas o corpo já dava os seus sinais.
Isotonico e a marmelada já não sabiam da mesma maneira. As barritas outrora saborosas já embrulhavam o estômago só de pensar. Percebi que, no meu caso, a comida ia ser um desafio extra a superar na última etapa.
 
De repente estava dada a partida e subíamos o vulcão dos Capelinhos, no Faial. A última e mais longa etapa do Triângulo começou com 3 km a subir. Vieram as levadas rolantes e frescas e uma parede até à majestosa caldeira. Com ela, aquela sensação que o pior já passou, mas ainda havia praticamente metade da distância da prova para descer até à Horta.
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Seguimos determinados e deixámos tudo o que nos restou das etapas anteriores nesses trilhos. Cortámos a última e desejada meta e festejámos, 3 provas, em 3 ilhas em 3 dias. 100km depois éramos  finishers do Triangle Adventure.

Chegada à Horta_ 3ªetapa_total de 100km em 15h02 nas 3 prova

Inesquecível. Os trilhos, os convívios, as viagens, a azafama de 150 participantes, de 7 nacionalidades diferentes, que no final, depois de tudo estávamos ainda mais vivos, mais realizados, mais felizes!

O equipa do Azores Trail Run está, uma vez mais, de parabéns não só pela organização, mas por promover a conexão de todos os participantes, a interacção e entreajuda dos habitantes de todas as ilhas e promover as maravilhosas ilhas que temos. Obrigada!

Somos uns privilegiados. Os nossos sorrisos, mesmo no ultimo esforço, são a prova disso.

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