A importância do material no Trail

“É um tema muito discutido. Somos adultos e responsáveis pelo o que nos pode acontecer, no entanto se existe um regulamento deve ser respeitado. Pela nossa segurança e por respeito ao trabalho das organizações das provas.
Cada atleta tem as suas preferências, estilo ou estratégia, mas há mínimos exigidos. Esses podem ditar o nosso sucesso. Ditaram o meu nesta prova.”

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Há uma semana estava a viver uma das experiências mais duras no meu curto percurso na modalidade de Trail Running.

Já tinha corrido à chuva, com lama, na neve, com vento frio. Mas nunca com as adversidades que encontrei, de forma inesperada, na prova do Azores Trail Run. Uma prova onde já tinha corrido com condições fantásticas, por isso abordo o tema retratado nesta experiência que foi uma grande lição.

Sabíamos que para viver a montanha temos de estar preparados para as mudanças de tempo e sabíamos o Faial tem fama de viver as 4 estações num dia. Assim foi. O inverno predominou.
Contra a actualização de várias estações de meteorologia, a ilha decidiu brindar-nos com um ultra desafio de correr a maior parte do tempo na companhia de ventos fortes, nevoeiro e chuva quase sempre serrada que nos surpreendia com mudanças de direcção bruscas.
Tive uma luta boa. Uma luta física e mental que já tive oportunidade de partilhar aquie parte do sucesso de ter chegado ao fim devo ao equipamento que levei. Ao equipamento e à lista de materiais obrigatórios definidos pela a organização.

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O nascer do sol prometia um dia excelente
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A subida e passagem na Caldeira, as levadas, os cabeços foram ainda mais desafiantes este ano
É um tema muito discutido. Somos adultos e responsáveis pelo o que nos pode acontecer, no entanto se existe um regulamento deve ser respeitado. Pela nossa segurança e por respeito ao trabalho das organizações das provas.
Cada atleta tem as suas preferências, estilo ou estratégia, mas há mínimos exigidos. Esses podem ditar o nosso sucesso. Ditaram o meu nesta prova.

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…a meta.
Se fosse a avaliar pelo amanhecer, provavelmente iria optar por um corta-vento, que aparentemente seria o suficiente para passar a caldeira, o ponto mais alto da ilha. O ano passado apanhamos um ligeiro nevoeiro apenas.
Às 5 da manhã, hora da partida dos 70k, não havia vento e a brisa era amena, mas o regulamento exigia impermeável e agradeço por isso. Ia arrumado na mochila de hidratação e “com sorte nem ia precisar”. Passadas cerca 4 horas de prova o tempo mudou e o meu Bonatti, da Salomon, passou a ser peça fundamental para chegar ao fim.
Assim que se levantou o vento meio enevoado e começou a chuviscar, vesti o impermeável que permitiu manter a temperatura do corpo, e coloquei o boné. O facto de ter capuz também foi muito importante porque em determinada altura a função do boné foi permitir que visse o passo que dava em frente, aparando a força da chuva. 
Por norma não sinto muito frio nas pernas, no entanto sempre que é obrigatório levo calças impermeáveis na mochila.
O frontal era obrigatório e fundamental no início da prova.

Na mochila ia a manta térmica, esse pequeno pedaço de “papel” que salva vidas. Também esse obrigatório, e na minha opinião indispensável na montanha seja qual for a distancia. Não pesa nada.

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A primeira foto retrata na minha cara a força da chuva.
Relativamente às minhas restantes opções de equipamento.
Não tenho hábito de usar bastões, mas depois de ter trabalhado um pouco a técnica nos Trail Camps do Armando Teixeira, atrevi-me a leva-los. Estava resistente porque, se por um lado achava que podiam ajudar também receava que, no decorrer da prova, passeassem a ser mais um fardo. O modelo de carbono da Black Diomon é tão leve que nem damos por eles. Foram emprestados e muito mais úteis do que podia imaginar.

Nesta prova, mais ou menos cardado creio que o melhor mesmo era ter uma sapatilha, de trail, estável e leve por encontramos trilhos mistos (asfalto, terra batida, lama e muita água)! Os meus Nike Air WildHorse 3 em conjunto com as minhas Injinji portaram-se lindamente. Corri praticamente todo o tempo com os pés molhados e fiquei apenas com uma pequena bolhita.

As luvas, que iam só por “precaução”, ficaram molhadas em pouco tempo, mas ajudaram a manter mesmo assim algum calor cortando parte do vento frio.
Gosto de usar manguitos e t-shirt em opção à long sleeve.

Na mochila, S-Lab 5L da Salomon, levava as duas flash com 500ml de água e 500ml de isotónico, que vou repondo a cada abastecimento. Levava várias barras, geis, frutos secos e o protector solar.

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O meu TomTom Runner 2, fez o que podia. O relógio promete 11 horas de autonomia, registou cerca de 10h de prova mais o tempo que esteve em stand by, antes da prova iniciar (2 horas). O relógio é bastante leve e confortável o que me agrada bastante.

As perneiras EXO da Salomon foram importantes. Confesso que não adoro usar meias de compressão, mas fui recomendada pelo meu médico e este modelo é especialmente confortável, conferindo um grande suporte ajudando no rendimento e recuperação.

Fora estas opções, que são pessoais, e que cada um deve definir para ir ao encontro das suas necessidades e do desafio a que se propõem, o mais importante é termos sempre em mente que nunca sabemos o que podemos encontrar na montanha, por isso há que respeita-la. Somos muito pequeninos perante esta força da natureza! 

Informa-te bem e boas corridas!
 😉

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